O registro da sessão é a matéria-prima de tudo o que vem depois: o gráfico do objetivo, a decisão da supervisão e o relatório para a família. Um registro feito na hora, com o mesmo padrão em toda a equipe, vale mais do que uma descrição detalhada escrita no fim do dia.

O que registrar em cada oportunidade

Uma oportunidade é cada vez que a criança tem a chance de emitir a resposta trabalhada naquela etapa do plano. Para cada uma, registre o resultado em uma de três categorias:

  • Bem sucedida: a criança respondeu de forma independente, do jeito que a etapa pede.
  • Com ajuda: a resposta só aconteceu com algum tipo de dica.
  • Sem sucesso: a resposta não aconteceu, mesmo com a oportunidade apresentada.

Registre no momento em que acontece. Lançar tudo de memória no fim da sessão tende a arredondar o desempenho para cima ou para baixo.

Como registrar o nível de ajuda

Quando a resposta precisou de ajuda, vale anotar qual. As dicas mais comuns, da mais intrusiva para a menos intrusiva, são:

  1. Física: o terapeuta guia o movimento.
  2. Modelação: o terapeuta mostra a resposta.
  3. Gestual: um apontar ou outro gesto indica a resposta.
  4. Verbal: uma instrução ou pista falada.

Saber qual ajuda foi usada mostra se a criança está caminhando para a independência, mesmo antes de a taxa de acertos subir.

O critério da etapa

Cada etapa do plano tem um critério, combinado com a supervisão. Um formato comum é um mínimo de oportunidades com um número de respostas bem sucedidas, por exemplo "10 oportunidades com 8 bem sucedidas".

Duas recomendações:

  • Mantenha o critério visível durante a sessão, para a terapeuta saber quantas oportunidades ainda faltam.
  • Registre quando o critério foi atingido. A decisão de avançar a etapa, ou de marcá-la como dominada, fica mais segura com esse histórico.

Comportamentos e análise ABC

Além dos objetivos do plano, a sessão costuma ter comportamentos acompanhados, como um comportamento que se quer diminuir. Para cada um, use a técnica de coleta definida pela equipe:

  • Frequência: quantas vezes aconteceu.
  • Duração: quanto tempo durou.
  • Latência: quanto demorou para começar depois de uma instrução.
  • Intensidade: a força, na escala combinada pela equipe.

Quando uma ocorrência pede análise funcional, registre também o antecedente (o que aconteceu antes), o comportamento observado e a consequência (como o ambiente respondeu). Esse registro ABC ajuda a supervisão a levantar hipóteses sobre a função do comportamento.

Notas da sessão

Feche a sessão com uma nota curta, em linguagem objetiva: como a criança chegou, o que mudou no ambiente, algo que a próxima terapeuta precisa saber. Defina para quem a nota fica visível: equipe, supervisão ou família.

Um checklist rápido

  • Registrei cada oportunidade no momento em que aconteceu?
  • Anotei o tipo de ajuda quando houve?
  • Conferi o critério de cada etapa?
  • Registrei os comportamentos com a técnica definida?
  • Deixei uma nota objetiva para a equipe?

Registrar pelo celular, no Proaba

No Proaba, a sessão mostra as etapas em andamento do plano com o critério ao lado, e a terapeuta lança cada oportunidade como bem sucedida, com ajuda ou sem sucesso, pelo celular. Os comportamentos usam a técnica de coleta escolhida para cada um, a análise ABC fica no mesmo fluxo, e o que foi registrado vira, sem retrabalho, os gráficos do plano e o PDF da sessão.